Domingo, Dezembro 21, 2008
Domingo, Novembro 16, 2008

a árvore já não é bonita. nada resplandece no seu conjunto. os olhos estão velhos, a boca está morta, as mãos cairam-lhe ao longo do corpo, o sexo mirrou e as palavras são uma tentativa rasca de ela se perdoar, são folhas de outono que apanha das ruas por onde passa e que não lhe servem de nada.
(o teu pijama é azul e quase permanente em ti, os chinelos também. só o robe não é azul, é cinzento. é um quadro triste que se assemelha a uma árvore que espera a morte).
a árvore percorre a casa com passos silenciosos e o tronco dobrado como um ancião. não tem coração, não tem alma. tem uma cabeça branca com imagens antigas que passaram de moda, mesmo assim a árvore diz-se moderna, actual, no prazo.
enquanto a árvore velha espera a morte, a outra árvore pensa num jardim verde, com gritos de crianças e cães a rebolarem na relva. escuta a palavra de ordem da árvore velha e deixa-a partir da boca morta para o vazio da casa amarela.
no interior da árvore secundária brotam flores que sentem e pensam como a semente de origem. ela olha a primeira árvore com ternura e pensa em milhares de gotas de água a chegarem às raízes e a restituirem vitalidade ao seu tronco, aos seus ramos e raminhos, até ao topo do esqueleto.
a árvore velha não sabe. vive num engano permamente, numa caverna de ilusões, vendo-se ferida, traída, mal-compreendida. não sabe que foi ela que criou o abismo e que já caminha sozinha para ele. continua a atirar pedras, mas estas regressam a ela de uma forma implacável.
a árvore do jardim sorri. é preciso que a árvore velha morra e se faça semente de novo.

da tua boca saem morangos silvestres. e junto com eles uma música triste mas bela. das tuas janelas vejo a imensidão da noite: a lua grávida, a sombra dos prédios a dormirem, os gatos vadios. tu tens a porta aberta à felicidade absoluta que não tem castrações. estás entregue a um sorriso-menino que nada esconde, nem nada espera (és inteiro). e é no fundo dos teus olhos de água, de um castanho-oliva, que vejo a verdadeira poesia. não das palavras. mas dos caminhos.
a tua casa é acolhedora. há um café quente à minha espera. há a música que sobrevive ao tempo e à escravatura do armário, para converter os nossos (des)amores em desejo (a libertação). há o corpo de pensamentos que não conhecemos, mas que adivinhamos. e, por fim, há os sinais - um mapa deles - para eu seguir até onde quiser.
escrevemos. os teus poemas, a tua (minha) dor. escrevemos, nas linhas de uma noite sem panos, versos antigos que já não rimam e versos do agora que falam da serenidade e das flores.
não tens sono (dormiste muitos anos seguidos). falas com a boca cheia de morangos, com os olhos de água, com as sobrancelhas, com as mãos. falas do que eu já conheço: da casa vazia e sem esperança, dos outros, do quase elouquecer, das formas desajastadas, do (in)temporal, das cartas, dos dias, do verão e do outono, de dois pesos e duas medidas, da balança, do silêncio.
cobre-se o teu rosto de um branco imaculado. não fere. antes, torna-te grande. e eu agarro nesses poemas e nessa grandeza e respiro-os como se fossem meus (são meus). entretanto, já é manhã, uma manhã clara que me fez regressar com um sorriso idiota nos lábios.
quando encosto a cabeça na almofada e fecho os olhos à procura de um sono, assisto aos anos a repetirem o mesmo, o velho padrão e descanso. um combóio a carvão apita ao chegar ao fim da linha. na estação, uma figura de um sorriso largo olha quem sai. tem os maiores braços que conheço. ele abre-os e abraça-me. e ficamos naquela paz por uma eternidade.
Domingo, Outubro 12, 2008

acabei de ver "do céu caiu uma estrela", do capra. é um filme demasiado belo: aos meus olhos. na infância, eu delirava todos os natais com esta preciosidade. hoje, com 36 anos, arrepiei-me, comovi-me. ri, chorei. há homens que são verdadeiros génios, ao perceberem que é nas relações e nos sentimentos que construímos a verdadeira felicidade. (acho que os génios só são génios porque simplicam)

para ti, tenho reservadas palavras parcas (mas belas). por ti, adivinho apenas um sorriso e mãos ainda de menina a afagarem-me o cabelo.
não quero que percas a tua ingenuidade, mas sinto que me escapas como areia entre os dedos das mãos.
se perderes o teu encanto, fica-me a lembrança de uma estrela distante à qual pedi unicamente para ser livre.
lisboa
08.08.07
para a princesa mariana
não quero que percas a tua ingenuidade, mas sinto que me escapas como areia entre os dedos das mãos.
se perderes o teu encanto, fica-me a lembrança de uma estrela distante à qual pedi unicamente para ser livre.
lisboa
08.08.07
para a princesa mariana
Quinta-feira, Setembro 25, 2008
a noite passada - sérgio godinho
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luna
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não me importo com as rimas

não me importo com as rimas. raras vezes
há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
penso e escrevo como as flores têm cor
mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
porque me falta a simplicidade divina
de ser todo só o meu exterior.
olho e comovo-me,
comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
e a minha poesia é natural como o levantar-se o vento...
alberto caeiro
(para a hankarra, com amor. obrigada pelo dia de hoje, por toda a partilha, por toda as luzes que me dás sem pedir nada em troca. por todo o amor incondicional)
há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
penso e escrevo como as flores têm cor
mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
porque me falta a simplicidade divina
de ser todo só o meu exterior.
olho e comovo-me,
comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
e a minha poesia é natural como o levantar-se o vento...
alberto caeiro
(para a hankarra, com amor. obrigada pelo dia de hoje, por toda a partilha, por toda as luzes que me dás sem pedir nada em troca. por todo o amor incondicional)
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Quinta-feira, Setembro 25, 2008
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dead can dance - the host of seraphim
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Quarta-feira, Setembro 24, 2008
party fears two - the associates (silencio...)
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Terça-feira, Julho 15, 2008
Quinta-feira, Junho 05, 2008
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